
Nasceu!
E para contar os detalhes, terei quer ir alguns dias atrás para explicar os passos que a levaram a “ser nascida” 2 dias antes da data planejada.
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Na Quarta-feira (dia 23/Janeiro) nós fomos ao obstetra e ele estranhou o tamanho do bebê. Ainda por cima a pressão da Débora estava alta então ele pediu um exame de sangue no mesmo dia e um ultrasom para sexta-feira no hospital.
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Na sexta-feira (dia 25/Janeiro) ela fez o ultrasom as 09:30, depois eu a deixei em casa e fui trabalhar. Aproximadamente 12:00 ela me liga e diz que o médico mandou voltar para o hospital pois tinha alguma coisa “estranha” com o desenvolvimento do bebê.
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Voltamos e o médico de plantão fez o NST (nonstress test), constatou que estava tudo bem mas que pelo tamanho e pela proximidade da data, o bebê teria que nascer logo. Por falta de quarto ele liberou a Débora mas estava pré-agendado que voltaríamos todos os dias de sexta até segunda para refazer o NST e em algum desses dias o parto seria induzido. A primeira sessão foi marcada para Sábado 13:00.
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Fomos para casa na sexta tranquilos pois sabíamos que se fosse sério, eles não nos mandariam embora (mesmo não tendo quartos disponíveis), mas a noite foi um terror… Contrações desde 22:30 com intervalos e durações irregulares, mas insuficientes para irmos para o hospital.
Contamos TODAS as contrações das 22:30 até quase 04:00 do sábado.
Ligamos para o hospital para perguntar o que fazer e eles disseram para a Débora comer algo, se o bebê não se mexesse é pq ela tinha que ir para lá urgente. Como ela se mexeu, “tentamos” dormir e esperar a próxima consulta marcada para sábado – 13:00.
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No sábado chegamos e fomos para a triagem fazer o NST de novo. De novo deu tudo Ok mas o médico não nos deu opção e disse que tinha risco de manter ela dentro da barriga e que deveria sair naquele dia. Nisso começa a aventura.
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Devidamente transferidos para o quarto aproximadamente 14:30, a Débora me faz ir no
Tim Hortons comprar comida para ela e a mãe dela. Nisso quando eu volto o médico já tinha rompido a bolsa dela… Legal, perdi uma parte do nascimento da minha filha na fila do Tim Hortons!
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Deram soro para a Débora com
Oxytocin para induzir o parto e dai as contrações começaram a apertar. Ainda com uma dilatação de 3cm ela já não agüentava mais de dor e implorava para a enfermeira pela anestesia, mas segundo ela, não poderia dar a
epidural com pelo menos 5 cm de dilatação.
Por sorte o anestesista estava de passagem pela ala da enfermaria e então a enfermeira decidiu aproveitar ao invés de esperar mais uma hora. Depois da anestesia foi outra história…
Foi da tortura para a paz em minutos. A anestesia não atrapalhou o processo de dilatação e tudo continuou correndo bem até as 23:30 da noite quando chegou o grande momento.
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Depois de constatados os 10 cm de dilatação (depois de quase 10 horas de espera) a enfermeira saiu para comunicar o médico. Nisso quando ela volta, ela não consegue mais registrar as batidas do coração do bebê e se desespera. Liga para outra enfermeira que entra correndo no quarto, checa todos os equipamentos e liga para o médico…
Na minha cabeça estava certo que elas estavam assustadas à toa, o bebê podia ter se movido e por isso perderam o batimento cardíaco, mas o médico chegou examinou e disse que tinha que sair naquela hora. Também pediu que o pediatra viesse imediatamente para o quarto.
De repente o quarto que estava só com nós 4 (eu + Débora + Sogra + enfermeira) tinha 9 pessoas entre médico + pediatra + enfermeiras e nós.
Com todo aquele stress a Débora foi preparada na posição para o parto normal e tentou empurrar pela primeira vez.
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Eu filmando tudo queria pegar desde o começo da “última” contração até o nascimento.
1ª Tentativa e nada.
O médico pega o aspirador (sugador) e coloca na cabeça da Júlia ainda dentro do útero. A enfermeira ainda vira para a Débora e diz com um tom nada animador: “O bebê não gosta disso…” mostrando a mangueira de ar.
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2ª Tentativa e nada.
Me ocorre pela primeira vez que talvez fosse melhor não filmar, pois poderia registrar algo que eu não gostaria de ver nunca mais… A coisa estava começando a ficar feia.
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Iniciou a 3ª tentativa. Eu prometi para mim mesmo que se não nascesse naquele momento eu pararia de filmar e começaria só a rezar. Depois de muito esforço (por parte da Débora, é claro), finalmente a Júlia nasceu. Eu tinha certeza que se houvesse uma 4ª tentativa seria uma cesária.
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O médico passa ela para o pediatra, ele examina e constata que está tudo OK. Faz as devidas medições, enrola no cobertor e devolve para a Débora.
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Dia: 26 de Janeiro de 2008
Hora: 23:53
Peso: 2430 g
Altura: 46 cm
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Aparentemente a placenta parou de funcionar (ou parou de crescer e limitou seu funcionamento) perto do fim da gravidez. Por causa disso tivemos que adiantar o nascimento (e o médico não pode colher a amostra do sangue do cordão umbilical que nós queríamos). Quando eu perguntei sobre a coleta a enfermeira me disse que a “Placenta was no good” e disse “olha como ela é pequena” me mostrando aquilo!!!
A primeira coisa que eu pensei foi: “Não desmaia”
A segunda coisa foi: ”Não desmaia que você vai passar vergonha aqui”
A terceira coisa foi: “Hummm, deixa eu lembrar de TODAS as placentas que eu já vi na minha vida para comparar com essa…”
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Até o momento (passados alguns minutos após as 48 horas de vida) as duas ainda estão lá no hospital mas tudo está 100% OK com elas e devem ter alta nessa terça-feira 29 de Janeiro.
Vale a pena dizer que o Hospital Queensway Carleton e as enfermeiras / médicos foram (e estão sendo) super legais. Nenhuma queixa até agora. Muito pelo contrário… fantástico.
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Coisas que eu aprendi:
1 - Essa história de levar “snacks” é bobeira. Não tem bolachinha que “sustente” por 10 horas ou mais. Leve sanduíche de casa (ou corra o risco de perder o parto na fila do Tin Hortons).
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2 - Se vocês planejarem colher o sangue do cordão umbilical, consulte um médico ou enfermeira sobre qual é a empresa que eles estão mais acostumados antes de fechar com alguém. Fiquei sabendo que existem tantos tipos diferentes e que é tão difícil de alguém solicitar que eles nunca sabem direito o que fazer na hora.
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3 - Leve muuuuito dinheiro. Tudo “come” notas de CA$ 20.00 quando vc está no hospital. Também, em caso de menino, se os pais quiserem fazer a circuncisão tem que pagar CA$ 100.00 a vista em dinheiro para o médico + CA$ 50.00 para o hospital.
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4 - Leve muuuita moeda de CA$ 2.00. Tem vending machine espalhada em todo lugar, mas não importa o que vc compre para comer ou beber, com certeza vai custar $2.00.
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5 - Não importa o quanto você queira ou tente ajudar. Nunca vai ser suficiente para a sua esposa na sala do parto e ela vai te xingar em algum momento.
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Se tudo der certo, amanhã começa uma nova página das nossas vidas com a chegada da Júlia em casa.
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